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	<title>Arquivos dívida do agro - Pec Press®</title>
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		<title>Dívida do Agro coloca PIB em risco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Adilson - Pec Press]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2020 21:23:01 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[dívida do agro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dor, angústia, medo, revolta e fragilização dos laços familiares são sentimentos por trás da supersafra de 250 milhões, que esconde uma dívida do agro de R$ 700 bilhões. Os números das exportações caminham de vento em popa, impulsionados, especialmente, pela soja, cuja participação será superior a 50%. Entretanto, o brilho dourado do grão ofusca uma [&#8230;]</p>
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<p>Dor, angústia, medo, revolta e fragilização dos laços familiares são sentimentos por trás da supersafra de 250 milhões, que esconde uma dívida do agro de R$ 700 bilhões.</p>
<p>Os números das exportações caminham de vento em popa, impulsionados, especialmente, pela soja, cuja participação será superior a 50%.</p>
<p>Entretanto, o brilho dourado do grão ofusca uma triste realidade compartilhada por milhões de produtores rurais no Brasil, como é caso do produtor Adilson Érida Borges, que possui fazenda no estado do Mato Grosso.</p>
<p>Com uma dívida de R$ 4 milhões, o produtor aguardava mais um recorde de produtividade que não se confirmou e há oito anos briga na justiça para não perder a propriedade para bancos.</p>
<p>Segundo um estudo realizado pela Egrégora Consultoria Empresarial, até janeiro de 2019, o setor devia valor equivalente a uma safra inteira.</p>
<p>“Demonstrativo do Banco Central mostrava uma posição devedora de R$ 306,8 bilhões junto aos bancos nacionais”, aponta o diretor da consultoria,  Anisio Carossini, ex-superintendente regional do Banco do Brasil e responsável pela análise.</p>
<p>Somam-se ao montante débitos de R$ 153 bilhões junto às 60 maiores <em>tradings</em> agrícolas, R$ 53 bilhões pendentes com cooperativas e outros R$ 100 bilhões devidos a bancos estrangeiros. Com correções, o montante deve ultrapassar os R$ 700 bilhões.</p>
<h2><strong>Situações críticas das dívidas do Agro</strong></h2>
<p>Apesar de ver mais chuva neste ano, sete quebras de safra consecutivas no Nordeste, de 2012 a 2018, inviabilizaram a permanência de muita gente na atividade.</p>
<p>Cerca de um milhão de produtores ainda luta para manter posse da propriedade. O presidente da Cooperativa Agropecuária e Industrial de Arapiraca, em Alagoas, Francisco de Souza Irmão, faz duras críticas à Lei 13.340.</p>
<p>Criada em 2016, ela simplesmente, ignorou o grande período de colapso hídrico. “Os produtores estão perdendo suas terras para os bancos”, reclama Chico da Capial, como é mais conhecido no meio.</p>
<p>Tem produtor que financiou R$ 18 mil e já deve R$ 1milhão. No Sul do  Brasil, a situação também é trágica. O agro do Rio Grande do Sul registra o terceiro ano de estiagem.</p>
<p>Até agosto espera-se uma frustração de safra em torno de 50%. Não existe uma estimativa de produtores falidos, mas há anos o deputado federal Jerônimo Goergen pleiteava atenção do Mapa sobre a questão da securitização das dúvidas do agro, conseguindo-a apenas na chegada da quarentena.</p>
<p>A última investida foi tentar aprovar a Medida Provisória 936 para garantir R$ 5 bilhões e flexibilização de dívidas.</p>
<p>Mais ao meio do mapa, o Centro Oeste, onde estão os maiores produtores de grãos e gado do Brasil, estão igualmente no vermelho. </p>
<p>Goiás é a ponta do iceberg, responde por 11% do montante total de dívidas: R$ 77 bilhões. São R$ 42,8 bilhões junto aos bancos e R$ 35 bilhões junto a cooperativas e <em>tradings</em>.</p>
<p>Os números são fornecidos por Eurico Velasco, advogado e pecuarista, vice-presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA).</p>
<p>Essa ferida, se não estancada, colocará a economia brasileira em risco daqui cinco anos, pois o Agro representa 21,4% do PIB nacional (R$ 1,5 trilhão), de acordo com dados recentes do Centro de Estudos e Pesquisas Avançadas (CEPEA/USP).</p>
<p>“Imagina o PIB do Brasil sem a contribuição de 21% do Agro”, questiona Jeferson da Rocha, diretor jurídico da Associação Nacional de Defesa dos Agricultores (Andaterra), alertando para um possível êxodo rural de 30% a 40%.</p>
<p>Serão de 1,5 a 2 milhões de famílias migrando do campo para cidades. Pecuária de corte, leite, café, arroz, cana-de-açúcar, citrus, hortifruti, coco e cacau são os setores mais afetados &#8211; alguns deles em condições caóticas.</p>
<h2><strong>Perda da terra para estrangeiros </strong></h2>
<p>A questão do endividamento carrega um problema ainda maior. Conforme execuções avançam, a tendência é de as terras serem adjudicadas pelos credores ou leiloadas.</p>
<p>Com a sanção da Lei do Agro n°13.986 (antiga MP do Agro), comemorada pelo Ministério da Agricultura, os artigos 51 e 52 permitem que estrangeiros sejam os novos donos destas áreas.</p>
<p>Concessão como essa foi vista apenas em 1967, com repasse de áreas da Amazônia para o magnata norte-americano <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Daniel_Keith_Ludwig">Daniel Keith Ludwig</a>, no projeto Jari.</p>
<p>Outro ponto questionável da Lei do Agro é a blindagem excessiva dos credores. As instituições financeiras poderão expropriar o produtor via cartório, sem necessidade de juiz.</p>
<h2><strong>Saída é securitizar dívidas do agro</strong></h2>
<p>Em 1995, a securitização foi utilizada por força de lei e, hoje, os produtores rurais precisam de um novo fôlego, repactuando dívidas por 25 anos ou mais, com juros de 3%.</p>
<p>“É o mínimo para recuperar encargos ilegais acrescidos, além dos prejuízos gerados pelas manipulações de mercado nos últimos 20 anos”, conclui Rocha.</p>
<p>A política agrícola atual privilegia alguns poucos conglomerados empresariais voltados à exportação enquanto pequenos e médios agropecuaristas são subjugados.</p>
<p>Os pequenos e médios ainda são excluídos das linhas de crédito emergenciais do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES).</p>
<p>Uma forma de levantar recursos sem prejudicar o orçamento da União seria destinar 50% da alíquota do SENAR a um fundo de securitização, após 30 de junho, quando vence o período estabelecido pela MP que reduz pela metade a contribuição obrigatória das empresas ao “Sistema S”.</p>
<h2><strong>Raízes do endividamento</strong></h2>
<p>A agropecuária é sujeita a seca, chuva, geada ou granizo. Agricultores podem perder a safra do dia para noite.</p>
<p>“O seguro agrícola é caríssimo e concentrado na mão de poucos”, revela o diretor jurídico da Andaterra.</p>
<p>De acordo com ele, o produtor demora até dez anos para se recuperar de uma frustração de safra. É por conta disso que existe a Lei de Crédito Rural (nº 4.829/65).</p>
<p>“O produtor é tratado de forma especial porque produz alimento. Trata-se da segurança alimentar e soberania nacional”, defende Jeferson Rocha.</p>
<p>A título de informação, a agropecuária brasileira alimenta 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo.</p>
<h2><strong>Infração à Lei de Crédito Rural</strong></h2>
<p>Apesar da legislação vigente limitar taxa de mora a 2,5% e juros máximo de 12% ao ano, além do direito de a dívida por frustração de safra ser prorrogada nos encargos iniciais acordados (MCR 2.6.9), não é o que se vê nos bancos.</p>
<p>“Contratei financiamento com correção de 5,5% ao ano. Na primeira renegociação subiram a taxa para 19,5% e depois de quatro anos quiseram cobrar de 27% a 33%”, confirma o fazendeiro Antônio Abrão Zardin.</p>
<p>O produtor tem documentos comprobatórios, entre comunicados de frustração de safra e recusas do seguro Pro-agro.</p>
<p>“Em 300 hectares de feijão acumulei uma dívida de R$ 900 mil. Na safra seguinte tive quebra por seca e no terceiro ano meu principal cliente quebrou”, conta.</p>
<p>O produtor condena a arbitrariedade dos bancos, por assegurarem apenas operações de baixo risco &#8211; a soja e o milho das águas &#8211; ainda assim a taxas de 8% a 10%. Além de recusar as operações de alto risco, hipotecam a propriedade, prática proibida na Lei de Crédito Rural.</p>
<p>Na prática, as cédulas de crédito rural (CDRs) estão sendo convertidas em cédulas de crédito imobiliário (CCIs). “Quem não se endivida desse jeito”, queixa-se Zardin.</p>
<p>Como saída, o agropecuarista recorre a um financiamento de juros caros para pagar outro de juros baratos, operação apelidada de “mata-mata”.</p>
<p>“Apenas posterga-se a quebra da propriedade, mas a conta deste ciclo sem-fim de refinanciamentos vai chegar. E quem vai pagar é o cidadão brasileiro”, adverte o diretor jurídico da Andaterra.</p>
<p>O “mata-mata” aleija de um lado e os cartéis industriais espremem a margem  do outro, a exemplo de JBS, grandes laticínios e Cutrale. Ficam as dívidas e os traumas.</p>
<p>“Depois de ver preços baixos do nosso produto e as constantes ameaças dos bancos, perdi meus sucessores”, desabafa Zardin.</p>
<h2><strong>Jabutis nas leis de crédito agrícola</strong></h2>
<p>Um deles é a famigerada alienação fiduciária que as instituições embutiram nas operações de crédito agrícola.</p>
<p>“Alienação fiduciária permite requerer apenas o bem financiado, mas, nas operações agrícolas, os bancos tomam as próprias fazendas como garantia”, explica o agricultor Adilson Borges, que, inclusive, teve um pulverizador arrestado a mão armada por agentes do Banco CNH, em dezembro de 2019.</p>
<p>Segundo ele, ainda existe outro jabuti em relação à reestruturação de dívidas, que só existe para inglês ver.</p>
<p>“Em 2018, recorri a uma circular do BNDES para reestruturar dívida. Seguraram tanto que quando saiu a resolução do Banco Central minhas operações já estavam vencidas, ajuizadas e lançadas em prejuízo. Mesmo comprovando que o pedido foi feito ainda sem prejuízo eu fui excluído”, lamenta Borges.</p>
<ul>
<li>Para conhecer os setores mais endividados, siga @salveoagro no <a href="https://www.instagram.com/salveoagro/">Instagram</a> e <a href="https://www.facebook.com/salveoagro/">Facebook</a>. O grupo é formado por produtores rurais de todo o Brasil que buscam o desenvolvimento saudável do setor. Há materiais completos.</li>
</ul>
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